O projeto de Christian D’Abruzzo e Roberto Branco, do escritório Intrio Arquitetos, foi o 3º colocado da categoria Arquitetura | Profissional no Prêmio bim.bon Senai 2015.

 

“O projeto resgata o clássico telhado ”borboleta”, tão característico de projetos residenciais modernistas, e que contribui para sua qualidade plástica. Sua formulação, entretanto, é atualizada pela concepção industrializada e pelo uso do mobiliário como divisória, o que garante plena permeabilidade à planta. – Fernando Maculan, arquiteto formado pela UFMG e fundador do MACh Arquitetos

O projeto baseia-se em três conceitos principais:

  • memorial
  • desenvolvimento estrutural
  • aproveitamento das águas pluviais

Leia o texto dos arquitetos a seguir:

A concepção do espaço prioriza a originalidade formal associada à máxima eficiência dos ambientes, a construção seca e a sustentabilidade, conseguindo apresentar uma proposta que atenda uma família unifamiliar de forma racional em 80m². Para isso, utilizamos a estrutura modulada em steel frame, que, quando instalada de forma correta, pode fazer parte da composição de materiais do espaço, não necessitando de camuflagens e revestimentos. Somado a isso, as placas de OSB são desenhadas para servirem de armários e prateleiras, atendendo os dormitórios, a cozinha e a lavanderia.

A adaptabilidade é notada na  planta livre, onde as vedações independentes da estrutura possibilitam que esse espaço gere uma série de outras combinações para uma residência ou até mesmo para outros usos.

O desenho da casa é composto por formas simples, linhas diagonais que acompanham a inclinação do telhado, criando duas águas centrais, concentrando a água da chuva em uma mesma calha. Por sua vez, a calha direciona parte dessa água para um processo de filtragem e reuso para regar jardim, lavar piso e preencher a caixa acoplada da bacia dos banheiros.

A casa utiliza o mínimo possível de materiais diferentes, é basicamente formada por telha metálica termo acústica, vidro temperado, steel frame, dry wall e OSB, aproveitando o material que seria utilizado para mobiliário, também para divisórias.

Com a proposta apresentada, o resultado final é uma construção racional, explorando o máximo de cada ambiente com um desenho original, e se aproveitando de  seu desenho para economia de recursos naturais, conseguindo de forma completa atender um programa unifamiliar com qualidade espacial e adaptabilidade de planta.

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1 – Uma base de steel frame que receba a primeira modulação dos pilares em perfis de 14x14cm que com alturas diferentes, delimitam a inclinação da cobertura, possibilitando um desenho original de pé direito que amplia do centro até a extremidade.

2 – Utilizando também o perfil de 14x14cm, fazemos as vigas, vencendo a modulação e travando os pilares, já servindo de apoio para a estrutura do telhado.

3 – Completando a estrutura principal, utilizamos perfis de 5x10cm para estruturar os vidros temperados e o telhado através de uma malha sem forro.

4 – Internamente, o dry wall é utilizado como divisória nos banheiros, lavabo, lavanderia, reservatório de água de chuva e na parte interna das paredes das extremidades. As placas de OSB, por sua vez, foram desenhadas como grandes móveis longitudinais que dividem os ambientes que demandam essa função.

5 – Finalizando as vedações externas, utilizamos vidros temperados nas fachadas e placa de OSB nas laterais.  Fica evidente a solução formal, tanto pelo OSB que acompanha o telhado, quanto para o vidro que interliga o interior com o exterior.

A evidente crise hídrica e a notável consciência de que os recursos naturais são limitados nos traz a responsabilidade de rever nossas atitudes cotidianas e mais do que isso, rever como projetamos nossas residências. Por isso, há a responsabilidade de ter, desde o projeto em fase de estudo preliminar, a preocupação de utilizar sistemas que minimizem os impactos ambientais que uma nova casa pode vir a gerar.

Uso: o modelo de mini cisternas apresentado ao lado atende a demanda de uma residência com um sistema simples de filtro e captação de águas da chuva.

São 270 litros de águas pluviais que podem ser armazenadas nessas bombonas e utilizadas para lavar pisos, carros, irrigar plantas e descarga para os vasos sanitários.

Obs: Caso não haja interesse no reuso da água, o ambiente previsto para armazenar as bombonas, pode ser utilizado como despensa para a cozinha.

*texto dos arquitetos

Imagens: divulgação