O projeto de Bernardo Horta e Pedro Haruf foi o vencedor da categoria Arquitetura | Profissional do Prêmio bim.bon Senai 2015. A casa projetada será construída na feira MinasCon.

 

“O projeto vencedor destaca-se por apresentar um entendimento sistêmico de todos os requisitos necessários à concepção de uma casa como produto, aberto e adaptável, mas com uma imagem concisa, icônica. A clareza gráfica da apresentação e recursos como pictogramas e diagramas associam as versões arquitetônicas a uma espécie de plano de marketing, que explica e reforça as qualidades do projeto.

– Fernando Maculan, arquiteto formado pela UFMG e fundador do MACh Arquitetos

O projeto segue três conceitos básicos:

1. a individualidade como avanço das habitações pré-fabricadas

2. experiência de consumo

3. uso diferenciado dos módulos

Confira o texto dos arquitetos a seguir:

A individualidade como avanço das habitações pré-fabricadas

Na primeira metade do século XX, comparando a construção civil com a indústria automobilística, os arquitetos Le Corbusier, Walter Gropius e Jean Prouvé começaram a desenvolver estudos sobre as habitações pré-fabricadas. Estavam preocupados com a redução do custo da produção residencial, além de uma melhoria da qualidade de execução das construções através da industrialização, tentando substituir sempre que fosse possível a imprevisibilidade da mão de obra artesanal.

Jean Prouvé desenvolveu na primeira metade do século XX a Casa Desmontável, uma estrutura metálica autoportante de dois pórticos que sustentavam uma viga central onde eram apoiadas as estruturas da cobertura. Os fechamentos, tanto as paredes e a cobertura eram componentes desse núcleo. Entendemos esse modelo estrutural, de modulação 8×8 metros, como um “chassi” de habitação, a estrutura básica de proteção contra as intempéries, sendo todo o resto, componentes do produto final que podem ser alterado de acordo com a finalidade ou o desejo do consumidor.

Gropius buscou nos seus estudos, além da redução do custo através da industrialização, à manutenção da liberdade criativa do projeto e manutenção da preocupação de atender os desejos individuais de cada cliente. Partindo desses princípios, desenvolveu em conjunto com Konrad Wachsmann, a Packaged Houses, que antes de ser um projeto de uma casa especifica, era um sistema de painéis de madeira que permitia a estruturação de inúmeras tipologias através de encaixes, permitindo assim atender a demanda de cada cliente. Outro fator que foi considerado na proposta é quanto ao transporte das casas pré-fabricadas. Sendo assim, as dimensões do módulo básico dos ambientes são ditadas pela as dimensões disponíveis para serem transportados legalmente em estradas brasileiras. Por conseguinte, todo o módulo pode ser fabricado fora do terreno em que será inserido e em condições controladas.

Mesmo sendo uma arquitetura contemporânea e utilizar de raciocínios e materiais inovadores foram estabelecidos pontos de referência a tradição da arquitetura brasileira, assim como na forma que o usuário comum caracteriza o conceito estético de moraria.

Na modulação proposta para o concurso o telhado duas águas e a presença icônica do alpendre revelam laços com a tradição. Além de elemento de proteção climática, o alpendre das primeiras casas rurais no período colonial também atuava como espaço de descanso, de convívio, de posto de vigília e de filtro da casa, separando a esfera pública da privada.

Para além da arquitetura, vivemos hoje uma transição na relação de consumo, o ”do it yourself”, a “experiência do consumo”, são termos novos que devem ser compreendidos por quem almeja se inserir num mercado contemporâneo. Os consumidores estão começando a dar uma importância maior à experiência gerada pela marca, produto ou serviço no momento do consumo, ou na sensibilidade com a responsabilidade social e ambiental, ou na percepção e identificação com uma marca. Tendo em mente esse raciocínio, nossa proposta é transferir o poder de decisão projetual para o cliente, e foi o que Brandão e Heineck (1997) denominaram de “flexibilidade programada”, quando o consumidor escolhe dentro de variáveis pré-estabelecidas o produto final que será gerado.

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Experiência de consumo

Seguindo o pensamento da “experiência de consumo” desenvolvemos o projeto que fosse para além da casa 10×10 pretendida. Projetamos um sistema modular que também podemos chamar de “Chassi” residencial, e através dele podemos criar tipologias diferentes de acordo com cada necessidade. Aliado a isso, foi pensado num sistema digital que daria ao consumidor final a experiência de “projetar” a sua própria casa, escolhendo dentre tipologias pré-estabelecidas uma solução que se adequar melhor a ele em relação a custos, gosto, dimensões e particularidades.

Desenvolvemos uma modulação de 3×9, semelhante a um container, porém com as estruturas deslocadas para criação de um balanço de 1,5 metros em cada extremidade do comprimento, que permitia uma maior flexibilidade projetual. A partir desses chassis 3×9 projetamos tipologias básicas de uma casa para cada módulo, assim, desenvolvemos quatro (04) tipologias de cozinha que denominamos R01, R02, R03 e R04, quatro tipologias de sala de estar, E01, E02, E03 e E04, quatro tipologias de quartos, D01, D02, D03 e D04 além de quatro tipologias que chamamos de serviço especiais, S01, S02, S03 e S04 que seriam tipologias ”coringas”.

Partindo desses 16 módulos iniciais pode-se criar inúmeras tipologias, incluindo habitações e edifícios comerciais, como bares, restaurantes, escola, lojas, etc. Além disso essa modulação não se prende ao dimensionamento de 10×10 estabelecido no concurso, pode se criar uma pequena casa de dois quartos usando três módulos, obtendo uma construção de 9×9 metros, porém pode se criar uma casa de 4 suítes utilizando 7 módulos totalizando 21×9 metros.

A experiência do consumo viria da possibilidade do cliente montar e escolher dentro dessas possibilidades através de um aplicativo, como o que se tem na indústria automotiva onde se pode montar um carro à sua maneira, o cliente tomaria todas as decisões projetuais, primeiro escolheria cada modulo a ser usado, depois escolheria o restante dos componentes, como portas e  janelas, padrão de cor, tipo de revestimentos externos e internos, tipo de cobertura, soluções ambientais como aquecimento solar, captação e reuso de água dentro outras possibilidades.

Uso diferenciado dos módulos

Para além da relação do produto da Casa Chassi diretamente com cliente, o sistema estrutural permite outros tipos de possibilidades e escala. Um profissional pode usar o chassi para qualquer solução arquitetônica, um condomínio residencial, clube, etc, pode comprar um módulo de cozinha para instalar um gazebo em suas dependências e um investidor pode encomendar um grande projeto utilizando os módulos.

Essa flexibilidade, além da que chamamos programada, amplia a usabilidade do módulo, tornando-o mais viável como produto. Esses novos projetos ainda podem ser incorporados as tipologias pré-estabelecidas, tornando o sistema da casa chassi ainda mais dinâmico.

Atento a proposta da plataforma bim.bon, a flexibilidade no uso dos componentes permite que o sistema da casa Chassi seja aprimorado sempre que se criar novas parcerias entre o bim.bon e fornecedores. Dessa maneira o produto cresce junto com a plataforma, diversificando cada vez mais os projetos pré-estabelecidos.

*texto dos arquitetos

Imagens: divulgação

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