As cidades e espaços públicos são feitos para as pessoas – mas nem para todas. Só a cidade de São Paulo possui cerca de 16 mil pessoas que moram nas ruas – e independente do por quê estão nelas, a questão é pensar como as cidades não são acolhedoras ou amigáveis para essa parcela da população.

"Em que tipo de sociedade nós vivemos, onde a falta de moradias é resolvida com spikes?"
“Em que tipo de sociedade nós vivemos, onde a falta de moradias é resolvida com spikes?”

A onda de higienização vem espalhando pinos metálicos, regadores, pedras pontiagudas, arames e bancos divididos nas grandes cidades – não só para impedir o descanso de moradores de rua, mas também a prática de esportes como o skate ou o simples ato de sentar para conversar, esperar o ônibus ou observar a paisagem urbana.

Os efeitos desumanizadores desses gestos de exclusão afetam a todos nós e têm reflexo na intolerância diária a quem mora em áreas de violência, sofre discriminação e precisa de auxílio para se manter vivo. Um ciclo de questões sociais que passa pela política, economia, cultura, educação e urbanismo que começou com a colonização do país e hoje, 5 séculos depois, ainda não foi quebrado.

Não importa quantos spikes de metal espalhemos pelas cidades – os moradores de rua irão encontrar outro lugar para dormir. Mudar o problema de lugar não é resolvê-lo – é simplesmente “embelezar” a cidade para quem achamos que merece aproveitá-la.

A arquitetura defensiva e hostil faz mais do que impedir que moradores de rua tenham um canto para dormir em noites de chuva ou frio. Ela mantém a pobreza e o abandono invisíveis aos nosso olhos.

 

imagens Divulgação

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