Com o aumento da densidade demográfica das grandes metrópoles no mundo todo, o microliving – tendência de morar em espaços cada vez menores – tem se mostrado a alternativa mais eficiente no que diz respeito à construção de moradias para a população.

Esse conceito consiste, basicamente, na elaboração de apartamentos extremamente compactos, construídos e decorados com mobília funcional para otimização do espaço.

O curioso sobre os micro-apartamentos é que, embora sejam muito pequenos, o aluguel desses imóveis atingem valores altíssimos. Na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, a locação de um apartamento de 37m² gira em torno de $1.700 dólares. Em Nova York, um ambiente com 34m² pode custar até $3.000 dólares ao mês.

Microliving: a controversa tendência dos apartamentos minúsculos

Essa necessidade se deu a partir das mudanças que ocorreram com o estilo de vida na cidade, com cada vez mais pessoas morando sozinhas em seus próprios espaços – por isso, passam a descartar moradias muito espaçosas ou com vários cômodos.

Além disso, o número de indivíduos morando em grandes cidades cresce exponencialmente, o que torna a verticalização uma solução necessária para abrigar todos os moradores.

Microliving: a controversa tendência dos apartamentos minúsculos

Mas essa tendência não é representada somente por apartamentos com design clean, funcional e minimalista – Hong Kong, uma das cidades mais ricas do mundo, esconde sob essa prosperidade um grupo de pessoas que vivem em circunstâncias miseráveis.

As chamadas moradias sociais oferecem condições de vida precárias para seus moradores: ambientes com pouco mais de 3 ou 4 metros quadrados abrigam famílias de até 4 pessoas.

Colocando em números: em uma área de apenas 1.104 quilômetros quadrados, a região administrativa da China tem uma população de 7 milhões de habitantes – fazendo de Hong Kong um dos locais mais densamente povoados do mundo.

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Isso é resultado de uma política habitacional falha. A cidade sofre com a especulação imobiliária, o aluguel de outras residências é caro e a lista de espera para casas públicas é muito longa. A única opção para os mais pobres é viver em apartamentos minúsculos.

O incrível de tudo isso é que, mesmo assim, a demanda é tão grande que os preços desses imóveis também são muito altos. O metro quadrado pode chegar a custar 90 dólares de Hong Kong (cerca de R$34 reais) por mês.

Residir em locais com um grande número de pessoas pode ser problemático. A produção exagerada de lixo é um fator relevante e a região pode acumular uma grande quantidade de poluição, afetando negativamente a qualidade dos recursos naturais utilizados pelos moradores e sua qualidade de vida.

Além disso, o processo de verticalização das cidades vira obstáculo na circulação de ar ou incidência de luz solar nas áreas do nível do solo. Isso resulta em um fenômeno já muito recorrente: a ilha de calor.

A temperatura desses grandes centros urbanos é consideravelmente mais alta do que de zonas rurais ou menos populosas – assim, o calor passa a ser um incômodo e demanda um maior gasto de energia elétrica, já que aparelhos para ventilar e refrigerar ambientes começam a ser essenciais.

Microliving: a controversa tendência dos apartamentos minúsculos

Tendo essa realidade em vista, é importante questionar: para residir em grandes centros urbanos, é válido pagar quantias absurdas para viver em apartamentos com espaço extremamente reduzido, em grandes aglomerações humanas e com qualidade de vida comprometida?

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imagens via Krulwich Wonders, Home Designing, Stocksnap.io, Inhabitat, Urban Scrawl