Mais do que uma comemoração, flores ou chocolates, o Dia Internacional das Mulheres é um dia de luta por direitos, igualdade e reconhecimento na sociedade.

Para te ajudar a dimensionar o quanto esse dia é importante, a revista Architecture Review veiculou uma pesquisa sobre a situação de profissionais mulheres na Arquitetura e Urbanismo – e os números não refletem a aclamada igualdade de gênero no trabalho.

A pesquisa foi realizada com com 1.152 arquitetas do Reino Unido, Europa, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Ásia e em outras partes do mundo no ano de 2016. Para 67% delas, a indústria da Construção ainda não aceita a autoridade da mulher arquiteta na área. E 47% dessas profissionais não são promovidas durante os anos de trabalho em uma empresa.

A arquiteta Farshid Moussavi em seu escritorioTelegraph
A arquiteta iraniana Farshid Moussavi em seu escritório

Em uma área tão cheia de possibilidades profissionais, o próximo número levantado pela pesquisa é ainda mais triste: a cada 5 arquitetas, uma não encoraja outras mulheres a iniciarem uma carreira na arquitetura. Mas é fácil de entender: você encorajaria uma amiga ou irmã a escolher uma profissão onde serão mal remuneradas apenas pelo fato de serem mulheres?

No Reino Unido, por exemplo, 84% dos arquitetos de nível sênior ganham em torno de 51 mil libras por ano, enquanto apenas 47% das profissionais mulheres no mesmo nível atingem esse ganho. Apesar da moeda diferente, não é difícil transportar essa realidade para o Brasil.

Além disso, 72% dessas mulheres já sofreram assédio ou discriminação sexual durante a carreira como arquitetas, seja em reuniões com clientes, engenheiros e outros arquitetos ou ainda durante a faculdade. Mais uma vez: você recomendaria a uma mulher que ingressasse em um profissão onde ela poderá será diminuída e constrangida dentro do próprio ambiente de trabalho, e tudo isso apenas por ser mulher?

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Ray Eames, arquiteta e designer (1912–1988)Design is Fine
Ray Eames, arquiteta e designer (1912–1988)

Os números ficam ainda mais alarmantes quando a questão envolve a maternidade. Para 83% das entrevistadas, ter filhos coloca as mulheres em desvantagem na carreira de arquitetura, seja na hora de conseguir um emprego ou projeto ou até mesmo para se manterem no emprego antigo. Para 90% delas, o local de trabalho não oferece nenhum tipo de benefício relacionado às crianças, como licença-maternidade, creche ou espaço para amamentação.

Jane Drew (1911-1996), arquiteta e a primeira professora a lecionar na Universidade de HarvardArchitectuul
Jane Drew (1911-1996), arquiteta e a primeira professora a lecionar na Universidade de Harvard

Na contramão dessas desigualdades, é gratificante ver o trabalho de grandes arquitetas dando certo e sendo reconhecidos, como Zaha Hadid, Teresa Borsuk e Rosa Kliass. O projeto Arquitetas Invisíveis, por exemplo, dá voz e rosto a mulheres do mundo inteiro que oferecem grandes contribuições para a arquitetura, urbanismo, engenharia e construção.

 

Como mulher, não quero que você desista da sua carreira na Arquitetura. O seu trabalho e a sua criatividade são fundamentais para mudar o cenário de desigualdade na profissão. Não posso mentir: o caminho será de muita luta, resistência e confiança, e é para te lembrar disso que existe o dia 8 de março – afinal de contas, o seu lugar é onde você quiser :)

 

Aproveite para conhecer a pesquisa completa no site da Architectural Review.