Fibras de algodão, fiadas e tingidas se entrelaçam em cores e formas nas mãos de tecelãs no interior de Minas Gerais. O resultado são capas de almofadas, tapetes, passadeiras e esteiras para serem usadas na decoração. Todo trabalho é capitaneado por Helia Prates, que tem formação em moda, mas foi criando produtos para decoração encontrou sua grande vocação.

Hélia acredita que sua história com o tear começou quando ainda era criança.

“A primeira vez que vi uma máquina de tear foi na casa da minha madrinha, quando tinha oito anos. Fiquei bem intrigada com aquela estrutura, os fios, o movimento, mas achei complexo demais. De alguma maneira, aquilo ficou ressoando em mim, talvez pela admiração e carinho que tenho pela minha protetora”.

Alguns anos mais tarde, Helia, que é filha de costureira, passou a integrar a equipe de estilo de algumas marcas de vestuário. Nesse período sempre buscou aplicar técnicas artesanais como bordado, diferentes lavagens, tecidos com texturas mais rústicas nas peças criadas. Inquieta e insatisfeita com o segmento, decidiu fazer uma pausa. Na busca de uma atividade ou um hobby que a ajudasse nesse processo de autoconhecimento, decidiu fazer um curso de tear.

“Quando fiz o curso não tinha a menor ideia de como iria aplicar esse conhecimento. Incentivada pelos meus professores de ioga, fiz uma passadeira nas proporções de um tapete para a prática da disciplina. Os universos da moda e meu gosto por cores vibrantes se fundiram e as criações se tornaram mais peças decorativas que tapetes de ioga. Fiquei tão feliz com o resultado que, fiz uma consultoria para ajudar a me organizar a fazer dessa nova atividade a minha fonte de renda.”

Atualmente, Helia conta com a ajuda de Madalena, Laura e Sirlene, tecelãs que vivem do tear desde muito jovens e ajudam com a técnica e com a produção das peças. Cada uma trabalha em casa em seu próprio tear. Sua mãe e madrinha, também participam. Mas é Helia quem cria os padrões, desenvolve os desenhos, escolhe as cores e dá uma cara mais contemporânea para essa técnica milenar.

“Tenho um tear em casa e gosto de fazer testes e mostrar para as tecelãs outras possibilidades de criação. Cuido da produção das peças menores e deixo as maiores para as tecelãs. Pretendo ter um ateliê, onde a gente possa trabalhar juntas. Acho muito importante ficar perto delas, é uma troca muito rica”.

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A técnica adota por Helia é a do tear vertical, a mesma do tear chileno.

“Existem vários tipos de tear, tem o mineiro, o de pregos, de alto-liço, de padronagem… cada um com sua beleza e possibilidades. O mineiro por exemplo é um dos mais complexos e possibilita criar tecidos mais finos e texturas mais leves. Minha intenção é usar o tear para criar a minha expressão artística. Então optei pelo tear vertical pela praticidade e por ser a técnica mais antiga de tecer. São quatro vigas de madeiras, duas na vertical e duas na horizontal. Isso permite que eu faça tudo sozinha: montar o urdume, o pente liço e criar as tramas.”

Ao perguntar para Helia como define a identidade das suas criações, ela comenta.

“Minhas criações são uma extensão de mim. Venho de um universo muito feminino e místico. Pertenço à uma geração de mulheres que está começando a resgatar o seu poder. Transmitir isso através do meu trabalho é uma busca e uma preocupação. Quero resgatar as técnicas antigas de tecelagem manual e aplicá-las de forma contemporânea e criar produtos com significados mais profundos. Quero colaborar com um consumo mais consciente e ainda valorizar a sabedoria das tecelãs”.

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