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Todos os dias nos bastidores da Hometeka a gente conhece muitas pessoas e histórias. Agora, com o Dias das Mães se aproximando a gente resolveu resgatar algumas delas e contar pra vocês. São histórias de mulheres que passaram pela transformação da maternidade e decidiram mudar suas trajetórias profissionais para empreender e criar negócios que nasceram pequenininhos, mas que crescem fortes, saudáveis e têm o amor como base. Essas histórias nos encantam e nos inspiram ainda mais a fazer crescer essa comunidade de designers e artistas independentes que usam o afeto e a criatividade em suas criações. Conheça Joana, Ligia, Heloisa e Carla.

Mesmo com horário flexível, a arquiteta Joana do Vale Dourado decidiu largar o emprego numa indústria de pré-fabricados de concreto oito meses após retornar da licença maternidade. “A licença é muito curta, quando voltamos ao trabalho o bebê ainda está numa fase que demanda muito. Ficava muito cansada na procura do equilíbrio entre trabalho, vida pessoal e maternidade”. Foi quando ela decidiu fazer uma pausa em busca de outras possibilidades que se encaixassem melhor nesse novo universo e ainda gerasse independência financeira.

O começo da nova trajetória, na verdade, havia iniciado ainda durante a gestação de Joana. Na hora de montar o quarto do bebê que estava a caminho, ela encontrou poucas opções de mobiliário com design contemporâneo, atemporal e de qualidade. Como sempre gostou de desenhar móveis, decidiu criar a cômoda que seria usada no quarto. A peça virou a estrela do espaço, era sempre elogiada pelas visitas e virou objeto de desejo de muitas futuras mamães.

Esse foi um dos insights que levou Joana a criar a Miúda Mobília. Para empreender, ela convidou a designer de produtos Andrea Dutra. A dupla se conheceu ainda na barriga das mães, os pais eram colegas de trabalho e a amizade passou para as filhas, como uma herança natural.

A marca existe há dois anos e cresce num ritmo mais lento do que Joana esperava. Ela aponta que os maiores desafios de ser mãe e empreendedora é conseguir manter o foco em meio a tantos assuntos e tarefas que a maternidade exige; conciliar tempo de qualidade com os filhos e ainda cumprir com todas as demandas geradas na criação de um novo negócio. “Claro que tive mais tempo para a Helena e isso foi ótimo”, resume.

Depois que o bebê da advogada Carla Brandão completou 3 meses de vida, ela retornou ao trabalho. Carla até sentia um pouco de saudades do dia a dia no escritório. Com a possibilidade de trabalhar em esquema home office, o começo foi fácil. Mas algumas mudanças na estrutura interna da empresa mudaram esse cenário e a presença de Carla passou a ser exigida todos os dias na empresa. Sem uma política para acolhimento na cultura empresarial, Carla começou a avaliar cada segundo que passava no escritório. “Não fazia sentido perder duas horas do dia no trânsito para ir e voltar ao trabalho. Eram duas horas valiosas, que eu podia estar fazendo outras coisas para ter tempo de qualidade com meu bebê”.

Carla se demitiu. Arriscou um trabalho em parceria com o marido. Mas foi conversando com amigas que surgiu a ideia de criar a Advogada que virou vaso. Carla é uma apaixonada por plantas, por verde e pela natureza. E com a ideia de levar essa mesma alegria para a casa das pessoas, decidiu apostar num negócio para transformar, de forma artesanal, vasinhos comuns de cerâmicas usando apenas tinta e elementos simples como linhas, traços geométricos e outros elementos gráficos.

“Empreender é muito mais difícil do que imaginava. Estou aprendendo muito. Todo dia. E tem sido ótimo! Sempre fui muito imediatista. Aprendi a ser mais paciente com minha filha e a ter mais paciência comigo.”

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Ligia Estriga trabalhava como arquiteta em uma construtora. Seu dia a dia incluía acompanhamento e vistoria de obras, subir e descer muitas escadas e andar em meio à poeira, cimento, tijolos etc. Foi demitida quando estava no sexto mês de gestação. Mas até o final da gravidez continuou trabalhando como freelancer num ritmo menos acelerado.

Quando Teresa nasceu, sua prioridade passou a ser ficar o máximo de tempo possível com a pequena. “Queria participar da criação da minha filha e também queria flexibilidade. Minha satisfação pessoal passou a pesar muito, eu queria trabalhar com algo que realmente fizesse sentido pra mim”.

Foi quando Lígia resolveu criar suas próprias regras de trabalho e deu vida à Ocre, um estúdio de design de produto que utiliza papelão descartado como matéria-prima. Por trás de cada luminária, pendente ou móvel da marca tem um trabalho artesanal e métodos de produção socialmente responsáveis e sustentáveis.

É quando a gente percebe que o nascimento de Teresa não foi transformador somente para Ligia. Ele também deu novo uso e sentido para um material que seria descartado e os catadores de Florianópolis ganharam um novo receptor para os papelões coletados.

A maior lição que Lígia carrega dessa trajetória de mãe empreendedora é a criatividade para lidar com os desafios. “A criança está sempre nos testando e nos colocando em situações novas. E vamos aprendendo a lidar com essas situações da maneira mais amorosa possível”.

A história da designer Heloisa Helena com o Mii Atelier começou em 2010. A criação e produção dos vasos de cerâmica acontecia em paralelo ao trabalho como consultora em desenvolvimento de projetos numa empresa de móveis planejados de alto padrão. Heloisa engravidou, e há quase dois anos nasceu Matias. 

Durante toda a gestação Heloisa seguiu com as duas atividades, e mesmo durante a licença maternidade auxiliava sua sócia na maioria dos direcionamentos no trabalho do atelier de cerâmica. “Foi aí que que comecei a perceber o quanto o Mii significava e a força que aquilo tinha dentro mim. Passei a olhar para esse trabalho com mais carinho e dedicação.”

Quando o fim da licença maternidade se aproximou, o bebê de Heloisa estava com quatro meses, mas ainda muito pequenino. “Eu queria continuar o aleitamento materno com exclusividade até os seis meses, sem introdução de fórmulas”. Heloísa decidiu então deixar o emprego como consultora e se dedicar ao filho e exclusivamente ao Mii Atelier.

Heloisa comenta sobre a nova fase como mãe e empreendedora: “as duas atividades demandam muita energia, mesmo sendo energias distintas. Mas fico feliz em ver que não ocupo a maior parte do meu tempo com trabalho como era antes; ou com a maternidade como foi durante quase um ano e meio até quando sentimos que o Matias estava preparado para ir à escolinha (período de profundos questionamentos sobre como seria o meu lugar na sociedade agora sendo mulher e mãe e também de muito cansaço).Tudo que é demasiado em algum momento vai te trazer uma resposta negativa. Seja trabalho, seja ser mãe. Acho que a vida pessoal traz inspiração para vida profissional. O legal é quando as coisas se misturam sem nenhum tomar o lugar do outro. O Mii faz muita parte do que eu sou, e minha relação com isto é quase que materna também, como se fosse meu segundo filho. 

Se assim como a gente você se encantou com essas histórias, recomendamos um vídeo e algumas leituras para você continuar se inspirando.

Assista:  Mães no mercado de trabalho
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Quer conhecer o resultado do trabalho de Joana, Lígia, Heloisa e Carla? Acesse as lojas da Miúda Mobília, Ocre Design, Mii Atelier e Advogada que virou vaso aqui na Hometeka :)