A_M_A: Conheça a artista por detrás, e seu processo de criação

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A Hometeka, essa semana, recebe um novo estúdio no marketplace, a A_M_A, encabeçada e idealizada pela artista Alessandra Magalhães Azambuja, estúdio que nasce duma relação profunda, da autora, com a poesia e a cor, expressas por meio do vidro torcido e do neon que conformam luminárias em forma de palavras de carinho, de força, de poder. São peças que te acalmam, te abraçam, mas que nunca deixam de lado o design e sua potência com transformador e agregador do espaço.
E para apresentá-las para vocês, realizei uma entrevista enriquecedora sobre o processo de criação da marca.

Quer descobrir mais? Venha conferir na matéria a seguir ;)

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Comecei nossa conversa discutindo um pouco sobre como nasceu a A_M_A, e como se deu sua origem. A artista comenta que o marco zero, não se deu diretamente com o neon, mas sim com um piche. Numa festa na casa duma amiga, em meio a uma brincadeira, ela pegou uma lata de spray (com a autorização da anfitriã, é claro!) e escreveu “calma” no muro, só que separando o “c” da “alma”, um prenúncio dos jogos de palavras que estavam ainda por vir. Nisso, suscita a sua aproximação com a poesia:

De alguma forma também, eu sempre fui fã da poesia concreta, meus mestres o Maiakovski, o Haroldo de Campos, o  Augusto de Campos, o Décio Pignatari. Eu sempre gostei muito da poesia concreta e isso ficou muito em mim, e sempre gostei muito do haicai do Japão, então eu queria fazer poesia, mas eu queria uma que fosse muito simples e muito pequena e muito única.
E, além, eu também sempre tive muita curiosidade com a questão das cores, a influência das cores no ser humano (…) então a ideia de usar a luz na minha arte, ela quase que fazia parte desse meu processo.

Assim, o uso da cor, e sua influência sobre o ser humano, vem dessa mesma linha da busca duma poesia própria, que pudesse tocar as pessoas. A ideia da luz, do neon, nasce desse processo de descobrimento, onde tais poderiam servir de veículos para essa poética autoral.

O porquê da ideia do neon, o neon é uma luz que não é parada, é uma luz que na verdade é uma corrente elétrica. Eu gosto da vibração do neon, e seu processo é algo que está acabando, as pessoas estão o substituindo. É um processo que assim, é tão precioso quanto a dobradura de murano: é um vidro que é dobrado na mão, que é soprado com a boca, que é assim. É muito lindo o processo dele, é um artesanato que faz a peça.


Para além da cor e da palavra em si, há também a escolha da fonte. Discorrendo de forma descontraída, Azambuja brinca que a letra tem algo de muito pessoal. Desde criança sempre disse ter uma “letra feia”, e para as peças, queria uma tipografia que fosse autoral, o que fez com que ela partisse para um caderno de caligrafia. E sobre ele nasceu a escrita da A_M_A, que carrega consigo a ambiguidade da letra infantil com o neon, tão simbólico da vida noturna, e dos bares.

Alessandra, idem, possui uma preocupação muito grande com as cores que integram cada peça, nada é aleatório nesse processo. Na época em que morou em Londres, a artista realizou um curso de teoria da cor, no London College of Fashion, e este possibilitou a ela uma nova percepção do potencial do elemento – “a cor é importante para tudo na vida! A primeira semiótica de tudo é a cor”. Mas, há também, um quê de intuitivo nesse processo, que marca a ação dela na obra. 

Já ao final dessa conversa, mais familiarizados, a designer contou um pouco das histórias por trás de algumas peças:

Geralmente [as obras] nascem de um papo meu com a pessoa, sabe? Por exemplo, eu tenho uma amiga que o namorado, que era suíço, me encomendou uma [peça]. E, a gente queria de alguma forma a palavra amor na história, e assim nasceu o “amour” – do “amo who you are”, essa mistura dessas três línguas numa palavra só. Teve uma outra que eu morava com um amigo que era budista, que fazia muito meditação, e que era, também, azeitólogo. Ele ficava muito entre a Espanha e o Brasil. Então a [palavra] dele foi “aceite”, com uma gotinha de verde no “i”.

Conhecendo mais essa história entendo que muito além do que uma luminária, o que a A_M_A procura proporcionar são elementos artísticos e contemplativos para compor seus espaços, que são como convites às pessoas meditarem, e entenderem como a cor, a luz, a palavra, te toca e transcende. A artista finaliza afirmando que: “se eu conseguir tocar um coração, eu já sou feliz, sabe? E é isso, eu acho que essa é a minha felicidade, é ver uma pessoa feliz, ou falar com ela e perguntar o que representa na vida dela e entender que eu consegui tocar um coração”.

 

Veja também:  Studio Progne: a sintonia entre conforto e design

Ficou interessado? Clique e confira mais detalhes das peças da A_M_A:


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Guido C.

geminiano. estudante de arquitetura. apaixonado por projeto, patrimônio, design e história da arte. leitor assíduo de realismo fantástico. viciado em café e em cinema | guido@hometeka.com.br

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